Maria Afonso Peixoto – 28/08/2025
Jean-Claude Juncker é “conselheiro especial” do executivo europeu, posição que lhe permite ‘fugir’ das regras de transparência.
Jean-Claude Juncker, ex-presidente da Comissão Europeia, continua a exercer influência em Bruxelas seis anos após o fim do seu mandato. O antigo líder europeu mantém um gabinete no edifício Berlaymont, onde recebe regularmente diplomatas, políticos e lobistas. Mas, como “conselheiro especial” da Comissão Europeia, Juncker não está sujeito às regras de transparência que regulam o lobbying na União Europeia — o que levanta sérias dúvidas sobre a opacidade e a fiscalização do poder nos bastidores de Bruxelas.
Jean-Claude Juncker (70) pode ter abandonado a presidência da Comissão Europeia há quase seis anos (Outubro de 2019), mas a sua influência em Bruxelas não se apagou com o fim do seu mandato – e, agora, é exercida fora do ‘radar’ do escrutínio público.
Segundo o jornal de investigação Follow The Money (FTM), o antecessor de Ursula von der Leyen ainda mantém o seu escritório na “sede” da Europa, Berlaymont, e é lá que se encontra regularmente com destacadas figuras, que incluem diplomatas estrangeiros, políticos, lobistas e jornalistas. A par com isso, tem também contacto regular com a actual presidente da Comissão, de quem diz ser um “amigo”, e com outros comissários europeus.
Conselheiro especial: um cargo sem transparência
Na verdade, desde Dezembro de 2019, logo após ter cessado funções, que Jean-Claude Juncker assumiu o cargo – não remunerado – de “conselheiro especial” do executivo europeu. Mas esta posição privilegiada levanta preocupações sobre a transparência da sua actividade em Bruxelas, já que o político luxemburguês não está sujeito às mesmas regras que se aplicam aos funcionários europeus.
Com efeito, o seu estatuto não o obriga a registar as suas reuniões com antigos comissários que se tornaram lobistas, permitindo-o, assim, escapar à apertada regulamentação europeia para o lobbying. E são estas normas que ajudam a garantir a transparência e o escrutínio aberto da influência lobista sobre os agentes políticos em Bruxelas.
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