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17 de Fevereiro, 2026 21:56

Pelo menos 12.000 mortos na repressão no Irão durante o bloqueio da Internet

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13/01/2026

Pelo menos 12.000 pessoas foram mortas no Irão, no maior massacre da história contemporânea do país, grande parte dele ocorrido nos dias 8 e 9 de janeiro, durante um bloqueio contínuo da Internet, de acordo com fontes governamentais e de segurança que falaram com a Iran International.

Após cruzar informações obtidas de fontes confiáveis, incluindo o Conselho Supremo de Segurança Nacional e o gabinete presidencial, a estimativa inicial das instituições de segurança da República Islâmica é de que pelo menos 12.000 pessoas foram mortas neste massacre nacional.

A Iran International chegou a esta conclusão após analisar as informações recebidas de uma fonte próxima do Conselho Supremo de Segurança Nacional; duas fontes do gabinete presidencial; relatos de várias fontes dentro da Guarda Revolucionária Islâmica nas cidades de Mashhad, Kermanshah e Isfahan; testemunhos de testemunhas oculares e familiares das vítimas mortais; relatórios de campo; dados relacionados com centros médicos; e informações fornecidas por médicos e enfermeiros em várias cidades.

O assassinato foi realizado sob ordem direta do líder supremo Ali Khamenei, com o conhecimento e aprovação explícitos dos chefes dos três poderes do governo, e com uma ordem de fogo real emitida pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, segundo informações obtidas pela Iran International.

O Conselho Editorial da Iran International expôs as suas conclusões sobre a última repressão numa declaração intitulada «A morte de 12 000 iranianos não será enterrada em silêncio», apelando à apresentação de documentos e testemunhos das famílias das vítimas.

Segue-se o texto completo da declaração:

O Irão está sob um apagão coordenado que visa não só o controlo da segurança, mas também ocultar a verdade. Cortes na Internet, comunicações paralisadas, encerramento dos meios de comunicação social e intimidação de jornalistas e testemunhas apontam para um único objetivo: impedir que um crime vasto e histórico seja visto.

Nos últimos dias, após receber relatos dispersos, mas chocantes e profundamente preocupantes, a Iran International concentrou-se em verificar as informações para construir uma imagem mais clara da escala da repressão e das mortes durante os últimos protestos.

Num país onde as autoridades restringem deliberadamente o acesso à informação, tal avaliação é difícil e demorada — especialmente porque a pressa em publicar números incompletos de vítimas corre o risco de erros na documentação dos eventos e pode distorcer a verdadeira dimensão desta tragédia.

A partir de domingo, o volume de evidências e a convergência de relatos chegaram a um ponto em que uma avaliação relativamente precisa se tornou possível.

Nos últimos dois dias, o conselho editorial da Iran International analisou – através de um processo rigoroso, em várias etapas e de acordo com padrões profissionais estabelecidos – informações recebidas de uma fonte próxima ao Conselho Supremo de Segurança Nacional; duas fontes no gabinete presidencial; relatos de várias fontes dentro da Guarda Revolucionária Islâmica nas cidades de Mashhad, Kermanshah e Isfahan; testemunhos de testemunhas oculares e familiares das vítimas mortais; relatórios de campo; dados relacionados com centros médicos; e informações fornecidas por médicos e enfermeiros em várias cidades.

Com base nessas análises, concluímos que:

No maior massacre da história contemporânea do Irão – realizado principalmente durante duas noites consecutivas, quinta e sexta-feira, 8 e 9 de janeiro – pelo menos 12 000 pessoas foram mortas.

Em termos de alcance geográfico, intensidade da violência e número de mortes num curto espaço de tempo, este massacre é sem precedentes na história do Irão.

Com base nas informações recebidas, as vítimas foram principalmente baleadas pelas forças da Guarda Revolucionária Islâmica e da Basij.

Este massacre foi totalmente organizado, não sendo o resultado de confrontos «esporádicos» e «não planeados».

Informações recebidas do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do gabinete presidencial indicam que o assassinato foi realizado por ordem direta de Ali Khamenei, com o conhecimento e aprovação explícitos dos chefes dos três poderes do governo, e com uma ordem de fogo real emitida pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Muitos dos mortos eram jovens com menos de 30 anos.

Estimativa de vítimas

Com base nos dados disponíveis e na verificação cruzada de informações obtidas de fontes fiáveis, incluindo o Conselho Supremo de Segurança Nacional e o gabinete presidencial, a estimativa inicial das instituições de segurança da República Islâmica é de que pelo menos 12 000 pessoas foram mortas neste massacre a nível nacional.

É evidente que, sob um bloqueio de comunicações e sem acesso direto à informação, a confirmação do número final exigirá documentação adicional e detalhada.

A experiência dos últimos anos mostra que as instituições de segurança têm consistentemente ocultado informações e evitado registrar e anunciar números precisos de mortos.

A Iran International se compromete a refinar esse número com a ajuda de seu público – coletando documentação, cruzando relatos e verificando informações de forma contínua – para que nenhum nome seja perdido e nenhuma família de vítima seja deixada de lado.

Bloqueio das comunicações e dos meios de comunicação social

Os meios de comunicação social dentro do país foram encerrados. Centenas de jornais nacionais e locais, um acontecimento sem precedentes na história da imprensa iraniana, estão em silêncio desde quinta-feira.

Hoje, além da Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB), apenas alguns sites de notícias permanecem ativos dentro do país, e também operam sob censura e controlo direto das instituições de segurança.

Isto não é «controlo de crise». É uma admissão do medo de que a verdade seja exposta.

Apelo à apresentação de provas

A Iran International apela a todos os compatriotas dentro e fora do país para que enviem quaisquer documentos, vídeos, fotografias, testemunhos áudio e informações relacionadas com as vítimas mortais, centros médicos, locais de confrontos, hora e local dos incidentes e quaisquer outros detalhes verificáveis dos acontecimentos dos últimos dias.

A segurança das fontes e a confidencialidade das informações são a nossa prioridade absoluta.

Conclusões verificadas e acompanhamento internacional

Após uma verificação e avaliação cuidadosas, a Iran International publicará as suas conclusões e as disponibilizará a todos os órgãos e instituições internacionais relevantes.

A República Islâmica não pode ocultar este crime isolando o povo iraniano do mundo. A verdade será registada; os nomes das vítimas serão preservados; e este massacre não será enterrado em silêncio.

Estes mortos honrados pertencem não só às suas famílias e entes queridos enlutados, mas também à revolução nacional dos iranianos.

Conselho Editorial da Iran International

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