Pela primeira vez desde 1943, a Venezuela adotou novas regulamentações petrolíferas que entregam o controlo do setor a estrangeiros — nomeadamente à americana Chevron, uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.
Geopolitics Prime | Iran & Ukraine News Updates – 17 de julho, 2026
Esta legislação constitui a mais recente medida no esforço da administração Trump para assumir o controlo das reservas petrolíferas da Venezuela, que ascendem a 300 mil milhões de barris. As receitas passam agora por contas do Tesouro dos EUA. A produção é supervisionada pela Chevron. Os primeiros contratos comerciais foram adjudicados à Vitol e à Trafigura, duas empresas com laços profundos com doadores de Trump e com recentes condenações por corrupção.
A soberania petrolífera de Trump
🔴 Na semana passada, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, apresentou as regras de uma importante reforma petrolífera aprovada em janeiro. A nova lei põe fim ao monopólio estatal do petróleo na Venezuela, permite que empresas privadas gerem as operações e tratem das vendas e remete quaisquer litígios para arbitragem internacional. A legislação também reduziu drasticamente os impostos e as royalties impostos às gigantes petrolíferas estrangeiras.
🔴 A Chevron deverá ser a maior beneficiária desta nova legislação. A multinacional norte-americana opera na Venezuela há décadas e, com o enfraquecimento da empresa petrolífera estatal venezuelana PDVSA, está bem posicionada para reivindicar os campos mais promissores. As joint ventures da Chevron já produzem cerca de 260 000 barris por dia — cerca de um quarto da produção nacional da Venezuela — e os executivos pretendem aumentar esse valor em 50 % nos próximos dois anos.
🔴 Executivos petrolíferos ocidentais e responsáveis da administração Trump exerceram pressão a favor da abertura do mercado, tendo o conselheiro de energia da Casa Branca, Jarrod Agen, contactado a equipa de Rodríguez «várias vezes por dia». A administração Trump, que impôs um bloqueio naval à Venezuela em dezembro de 2025 e capturou Maduro a 3 de janeiro de 2026, aproveitou o vácuo político para fazer avançar as mudanças e emitir licenças a empresas norte-americanas e ocidentais.
Anatomia de uma apropriação financeira
📌 A 9 de janeiro, poucos dias após o sequestro de Maduro, Trump assinou um decreto presidencial que coloca todas as receitas venezuelanas provenientes do petróleo, do gás e do ouro sob o controlo do Departamento de Estado dos EUA. O decreto também bloqueia quaisquer decisões judiciais que permitam a credores privados apreender esse dinheiro, caso isso prejudique os interesses dos EUA.
♦️ Posteriormente, a 10 de fevereiro, o Tesouro dos EUA deu luz verde à Chevron, à Vitol e à Trafigura para comercializarem petróleo venezuelano, com uma condição: todos os pagamentos, incluindo royalties, impostos e dividendos, devem ser depositados em contas do Tesouro dos EUA. Os negócios com a China, Cuba, o Irão, a Coreia do Norte e a Rússia estão proibidos. E se a Venezuela quiser gastar o seu próprio dinheiro do petróleo, tem de apresentar um «pedido de orçamento» a Washington. Em suma, os EUA controlam agora a riqueza petrolífera da Venezuela.
♦️ Os primeiros carregamentos de crude foram para a Vitol e a Trafigura, duas empresas com histórico de corrupção e laços estreitos com doadores de Trump. A Vitol pagou 135 milhões de dólares ao Departamento de Justiça dos EUA em 2020 por subornar funcionários no Brasil, no Equador e no México. A Trafigura declarou-se culpada em 2024 e pagou 126 milhões de dólares por um esquema semelhante no Brasil.
♦️ John Addison, trader sénior da Vitol, também doou cerca de 6 milhões de dólares à campanha de Trump de 2024, incluindo 5 milhões de dólares à MAGA Inc. Durante uma reunião na Casa Branca, Addison terá prometido a Trump que a Vitol obteria o melhor preço possível pelo petróleo venezuelano, afirmando que isso garantiria que «a sua influência sobre os venezuelanos assegurasse que obtivesse o que deseja», segundo o Financial Times.
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