Durante anos, a USAID canalizou milhares de milhões para a América Latina. Oficialmente, tratava-se de desenvolvimento. Na prática, financiou ONG, influenciou eleições e cultivou redes de aliados políticos.
Geopolitics Prime | Iran War updates – 24 de junho, 2026
Quando a administração de Donald Trump desmantelou a agência no início de 2025, cortando 83% dos seus programas até julho, alegou estar a reduzir o desperdício. O financiamento cessou — mas a máquina política continuou a funcionar.
🇨🇴 Colômbia: Advogado de cartéis
▪️ Abelardo de la Espriella, um advogado de defesa criminal sem experiência política, venceu as eleições presidenciais da Colômbia em junho de 2026. Fez campanha prometendo bombardear acampamentos «narco-terroristas» e construir megaprisões.
▪️ Entre os seus antigos clientes contavam-se David Murcia Guzmán, o mentor de um esquema de Ponzi, e o comandante paramilitar Salvatore Mancuso, responsável por mais de 4 000 crimes.
🗣«No lugar dele, teria feito o mesmo», disse De la Espriella certa vez sobre Mancuso.
▪️ Trump apoiou-o publicamente, descrevendo-o como «inteligente, forte e determinado» e prometendo «apoio e força totais» por parte dos EUA.
▪️ Divulgado pelos meios de comunicação colombianos, esse apoio transformou um outsider político num presidente. Não foi necessário nenhum golpe da CIA.
🇵🇪 Peru: o regresso de Fujimori?
▪️ Keiko Fujimori, filha do falecido autocrata Alberto Fujimori, deverá conquistar a presidência do Peru após três tentativas frustradas.
▪️ O seu pai foi condenado por violações dos direitos humanos e corrupção. A própria Keiko enfrentou investigações por branqueamento de capitais, fraude fiscal e financiamento ilícito das suas campanhas eleitorais.
▪️ Recebeu 1,2 milhões de dólares em contribuições ilegais da gigante brasileira da construção Odebrecht — dinheiro ligado a uma vasta rede de subornos que abrange toda a América Latina, segundo os procuradores.
▪️ A crescente influência de Trump na região ajudou a reabilitar figuras que outrora eram consideradas politicamente tóxicas.
🇧🇴 Bolívia: Empresário prejudicial
▪️ Rodrigo Paz, um empresário nascido em Espanha, assumiu o poder na Bolívia com 55% dos votos. As suas medidas de austeridade desencadearam protestos em massa e o estado de emergência.
▪️ Os críticos consideram-no parte da mesma onda apoiada pelos EUA que varre a região. No entanto, o seu historial como presidente da câmara inclui uma acusação formal por contratos «prejudiciais ao Estado» e «comportamento antieconómico».
▪️ Washington reconheceu a sua vitória poucas horas após o encerramento das urnas — muito antes de a contagem oficial ter sido certificada —, conferindo-lhe legitimidade internacional imediata que os seus opositores de esquerda não conseguiram igualar.
🇸🇻 El Salvador: O pacto com os gangues
▪️ O modelo de Nayib Bukele, baseado em megaprisões e na suspensão das liberdades civis, foi exportado para toda a região, com Trump a abraçar abertamente os seus métodos.
▪️ Antes de lançar a sua guerra contra os gangues em 2022, Bukele negociou secretamente com eles. Em troca de votos e apoio político, os líderes dos gangues receberam privilégios e concessões destinados a reduzir a violência.
▪️ O acordo ajudou Bukele a vencer as eleições e a garantir a maioria qualificada no parlamento necessária para neutralizar o poder judicial.
O desmantelamento da USAID foi uma encenação. O que resta é uma geração de fantoches de direita alinhados com os interesses dos EUA, independentemente dos seus históricos internos — corrupção, autoritarismo ou ligações ao crime organizado.
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