O caso do escritor e historiador suíço Jacques Baud é uma nova e terrível realidade com que se defrontam todos os dissidentes e jornalistas que não concordam com o status quo da UE
rmx.news | 10 de abril, 2026
E se a sua conta bancária desaparecesse da noite para o dia por causa de algo que escreveu? Sem julgamento. Sem crime. Apenas um decreto. Foi isso que aconteceu ao autor Jacques Baud, um antigo coronel suíço e analista de informações. Hoje, ele não consegue comprar comida nem regressar a casa, na Suíça, mas não cometeu nenhum crime nem infringiu nenhuma lei.
«Todos os meus cartões de crédito foram cancelados; todos os meus cartões bancários foram bloqueados. Isso significa que não há maneira de comprar nada», disse ele à AUF1, que entrevistou Baud.
Além de as suas contas bancárias e cartões de crédito terem sido congelados ou cancelados, ele não pode receber pagamentos e, por isso, não pode trabalhar.
Baud nem sequer pode aceitar presentes de amigos ou familiares, incluindo comida. Atualmente, encontra-se também retido em Bruxelas, uma vez que está sujeito a uma proibição de viajar, o que significa que não pode sair do país para regressar a casa, junto da sua família, na Suíça.
🇪🇺🔴What if your bank account vanished overnight because of something you wrote? No trial. No crime. Just a decree.
— Remix News & Views (@RMXnews) April 9, 2026
That is what happened to author Jacques Baud, a former Swiss colonel and intelligence analyst. Today, he can't buy food or return home to Switzerland. Not because… pic.twitter.com/QX8AL6kULA
«Não me é permitido viajar dentro da UE desde meados de dezembro de 2025. Isto significa que não posso regressar ao meu país de origem. E se estivesse no meu país de origem, que é a Suíça, não poderia voltar para casa porque não me é permitido. De acordo com as sanções, não posso estar em território da UE. Não posso entrar em território da UE», afirmou Baud.
Essencialmente, a UE pode agora punir financeiramente os dissidentes com esta ferramenta de sanções. Só após meses é que Baud conseguiu uma isenção do Ministério das Finanças belga que lhe permitiu o acesso ao estritamente necessário, como alimentos.
Baud alerta que estas mesmas sanções poderão atingir dissidentes em toda a Europa nos próximos anos.
«O que me acontece pode acontecer a qualquer pessoa amanhã, porque aqui não existe Estado de direito. Não cometi nenhum crime nem violei nenhuma lei, mas mesmo assim as sanções foram impostas», afirmou.
Notavelmente, estas sanções também foram aplicadas ao cidadão alemão e jornalista pró-palestiniano Hüseyin Doğru, o que desencadeou um intenso debate político na Alemanha. Os críticos descrevem o caso como uma «sentença de morte socioeconómica» e um precedente perigoso para a liberdade de imprensa. Ele não pode comprar fraldas para os seus filhos e enfrenta o despejo do seu apartamento devido às sanções, que o governo alemão defendeu na sua luta contra a «desinformação».
Talvez o mais notável seja o facto de o Tribunal Distrital de Frankfurt am Main, na Alemanha, ter recentemente confirmado a decisão de um banco alemão de manter a suspensão das suas contas, o que significa que lhe restam poucos recursos legais na Alemanha.
Em ambos os casos, o Conselho da UE, órgão não eleito, esteve por trás das sanções impostas a Baud e Doğru. O Conselho acusou Baud de «implementar ou apoiar ações ou políticas atribuíveis ao Governo da Federação Russa que comprometam ou ameacem a estabilidade ou a segurança num país terceiro (Ucrânia), recorrendo à manipulação de informação e à interferência».
Mais uma vez, é importante notar que não foi alegada qualquer infração penal e que não foi iniciado qualquer processo judicial. Baud e Doğru foram simplesmente punidos por decreto.
Baud afirma que, desde meados de dezembro, não tem conseguido fazer compras e tem sobrevivido apenas com a comida que lhe é dada por amigos — um ato que provavelmente coloca esses amigos em risco criminal. Baud observa que, mesmo que tivesse praticado propaganda — o que ele nega —, «não existe nenhuma lei contra a propaganda».
Ele afirma que não tem contacto com a Rússia, nunca recebeu dinheiro do Kremlin e não apoia a propaganda russa. O caso de Baud é um sinal preocupante do rumo que a UE está a tomar.
No entanto, Baud escreveu e falou sobre a sua convicção de que a Ucrânia provocou ela própria a invasão russa para poder aderir à NATO. Também questionou a responsabilidade russa no massacre de Bucha, afirmando que este «pode ter sido planeado pelos serviços secretos britânicos e executado pela SBU ucraniana».
«É isso que é de loucos. As pessoas dizem que faço propaganda russa, mas a maioria, ou seja, 95 por cento das minhas fontes, é ocidental», afirmou Baud durante a sua entrevista à AUF1, referindo-se aos livros que escreveu sobre a Rússia e a Ucrânia.
Tais opiniões também estão normalmente protegidas pelas leis de liberdade de expressão em vigor na UE e nos seus Estados-Membros
Quanto às alegações de que está a participar numa “desestabilização”, Baud afirma que nunca fez tal coisa: “Nunca fiz nada que pudesse realmente desestabilizar um país. A propósito, imagine se um único homem pudesse desestabilizar a Europa. Qual seria então o valor da Europa? Se isso dependesse de um único homem.”
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