Maria Afonso Peixoto – 02/07/2025
A última edição do Reuters Digital News Report, que analisa o consumo de notícias em 48 países, revela um cenário de declínio dos média institucionais com a influência crescente de podcasts, criadores de conteúdos e plataformas de vídeo como o YouTube e o TikTok. Há poucas pessoas dispostas a pagar por notícias e uma boa parte dos inquiridos aponta a ‘culpa’ aos próprios média, considerando que os jornalistas deviam ser mais isentos, limitar-se aos factos em vez de ‘empurrarem’ as suas próprias agendas e dedicar mais tempo a investigar os poderosos. Os participantes gostavam ainda que os meios de comunicação social fossem mais transparentes quanto ao seu financiamento e aos seus conflitos de interesse.
É uma percepção generalizada, mas que o Reuters Digital News Report deste ano veio confirmar: desafiado pela influência cada vez maior de meios alternativos de informação como os podcasts, as redes sociais e os influenciadores digitais, o “jornalismo institucional” enfrenta – nos quase 50 países analisados – dificuldades acrescidas para se manter relevante junto do público.
Mesmo na disputa pelo público no ‘online’ – fora dos meios mais convencionais, como a televisão, a rádio ou a imprensa escrita –, os média tradicionais parecem ser cada vez mais preteridos para os criadores de conteúdos, com estes últimos a ocupar um espaço considerável em todas as redes à excepção do Facebook.
Esta desvantagem revela-se, aliás, na comparação entre a proporção reduzida de pessoas que pagam por subscrições digitais de notícias e aquelas que estariam dispostas a pagar por podcasts, que são mais do que o dobro em percentagem.
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