Euro-Synergies, Isabel Conde no Facebook – 16/08/2025
A manipulação dos pensamentos, das reacções e das decisões é a nova forma de guerra psicológica. E isso não diz respeito apenas aos inimigos externos, mas também, cada vez mais, à população nacional. A manipulação, o controlo e a manipulação das pessoas são os objectivos da DARPA, da Palantir & Co.
A guerra mudou de forma. As bombas, os drones e as armas de fogo não se tornaram supérfluos: são apenas as ferramentas mais grosseiras de uma caixa de ferramentas cujo instrumento mais sofisticado e mais perigoso é a manipulação do pensamento humano pela inteligência artificial. A nova arma chama-se Theory of Mind [Teoria da Mente], desenvolvida pelo grupo de reflexão americano DARPA, aperfeiçoada por empresas como a Palantir, e já não visa apenas os inimigos estrangeiros. Bem-vindo à era da vigilância psicodigital total. Bem-vindo à guerra contra a nossa própria mente.
Aqueles que pensam que se trata unicamente de jogos de simulação militar destinados a repelir a agressão chinesa ou russa desconhecem o verdadeiro objectivo deste programa. A ideia de base é tão simples quanto pérfida: modelemos a psique do adversário, antecipemos as suas reacções, manipulemos as suas decisões e, finalmente, controlemos o seu comportamento. Isto parece guerra estratégica, mas há muito que faz parte do nosso quotidiano. Pelo menos desde 2020.
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Do campo de batalha à sala de estar
A pandemia da Covid-19 – ou melhor, a “plandemia” – foi o campo de testes ideal para a teoria da mente da DARPA. O que foi originalmente concebido como uma ferramenta de análise do inimigo transformou-se num instrumento de influência de massas. Os algoritmos de IA não se contentavam com ler os nossos pensamentos, eles adaptavam a política em tempo real aos nossos medos, às nossas contradições e às nossas flutuações emocionais. As decisões dos governos já não eram simples actos políticos, mas reacções calibradas pela IA em função do humor digital.
Os confinamentos, o uso obrigatório de máscara, as campanhas de vacinação não eram medidas médicas, mas operações psicológicas. Cada objecção era analisada em tempo real, cada tweet, cada comentário no Facebook, cada pesquisa no Google sobre os “efeitos secundários das vacinas” alimentava um aparelho neuronal que se adaptava como um camaleão neuronal. Tudo o que não se enquadrava no discurso oficial era suprimido, filtrado, apagado.
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A modelação do comportamento em vez da democracia
Chamava-se a isso «nudging», um eufemismo para designar o que era, na realidade, um controlo cibernético do comportamento de massas. Aqueles que não se deixavam “vacinar” voluntariamente com as injecções genéticas experimentais recebiam uma marcação para vacinação por SMS no telemóvel. Aqueles que hesitavam eram persuadidos por campanhas carregadas de emoção. Aqueles que resistiam eram desacreditados publicamente, tanto no mundo digital como na vida real. A democracia foi substituída por uma economia comportamental apoiada pela IA. O cidadão? Um sujeito previsível numa simulação algorítmica.
E ninguém se apercebeu disso – ou quis aperceber-se. Porque o inimigo era o vírus. A verdadeira ameaça não estava em Wuhan ou em Bergamo, mas nos centros de dados dos governos e das empresas ocidentais. O algoritmo era a besta que era preciso alimentar.
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Contra-ataque da arma manipuladora do pensamento
O que começou como uma iniciativa antiterrorista volta agora como um bumerangue – contra os cidadãos, contra a liberdade de pensamento, contra a ideia de autodeterminação. O “inimigo” já não é um mulá no Irão, um burocrata do PCC em Pequim ou um general em Moscovo. O inimigo somos nós. Ou, mais precisamente: todos aqueles que não correspondem ao perfil de opinião previsto pelas elites globalistas.
Porque os mesmos sistemas que são supostamente usados contra os terroristas no Médio Oriente ou os estrategas russos são agora usados, pelo menos nos Estados Unidos, no controlo da migração, nos controlos fiscais, na administração da saúde e até nas caixas de pensões. A Palantir, uma empresa gigante especializada na recolha de dados e estreitamente ligada à CIA, tornou-se há muito tempo o governo fantasma digital dos Estados Unidos. Uma empresa que vê tudo, sabe tudo e liga tudo. Gotham, Foundry, Maven não são ferramentas. São as armas modernas de uma guerra secreta, travada também contra a própria população. Também na Alemanha, o software Palantir é cada vez mais utilizado pelas autoridades.
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Guerras sem declaração de guerra
As recentes operações militares no Irão, no Líbano e na Rússia mostram como a Theory of the Mind funciona na prática. Com uma precisão cirúrgica, Israel não só abateu mísseis, mas também destruiu psiquismos. O assassinato de generais e cientistas iranianos não foi apenas planeado, foi simulado, repetido, avaliado psicologicamente e calibrado para obter o máximo efeito. O objectivo não era a morte das pessoas visadas, mas a desestabilização de estruturas de poder inteiras. E é precisamente aí que reside a genialidade pérfida desta estratégia: já não se trata de ganhos territoriais ou de movimentos de tropas. Trata-se de ganhos “territoriais” mentais, da colonização da mente.
O mesmo se aplica à Rússia: os ataques com drones ucranianos contra bases de bombardeiros estratégicos não foram fruto do acaso, mas o resultado de uma longa modelação dos esquemas de reacção russos. O botão vermelho não foi pressionado, porque o limiar a partir do qual era preciso fazê-lo tinha sido calculado com precisão. Trata-se de um novo tipo de guerra, em que já não são os tanques que contam, mas os parâmetros.
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Nós somos o inimigo
E enquanto estes sistemas se destinam a garantir a eficácia militar em matéria de política externa, coloca-se uma questão perturbadora: será que são usados contra nós há já muito tempo? Será que as nossas emoções são deliberadamente provocadas por certas medidas, a fim de nos orientar, a nós, o povo, na direcção desejada? Se o algoritmo decide o que temos o direito de pensar, o que devemos sentir e as decisões que consideramos como “livres”, então já não somos cidadãos, mas objectos de um regime autoritário digital.
E quem decide a partir de quando alguém é considerado “extremista”? Quem define “desinformação” ou “notícias falsas”? Quem traça a linha vermelha entre a opinião crítica e o perigo calculado por um algoritmo? Se o Estado, armado com o software Palantir, se torna capaz de ler os pensamentos, a resistência não é apenas legítima, é vital.
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Os pensamentos como campo de batalha
A guerra está aí. Não com mísseis de cruzeiro e ogivas nucleares, mas com a análise comportamental, a monitorização de sentimentos em tempo real e as simulações psicológicas. A teoria da mente já não é uma teoria, é agora uma realidade vivida. E veio para ficar. Aqueles que não compreendem que o seu próprio pensamento se tornou um campo de batalha já perderam a guerra pela liberdade.
Quando até as democracias começam a controlar os seus cidadãos por meio de algoritmos, a questão já não é: o que é a guerra? Mas antes: o que resta da paz?
Euro-Synergies
16.Agosto.2025
(Tradução de Isabel Conde)
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