Pedro Almeida Vieira – 02/07/2026
Convém reiterar que nada me move contra a indústria farmacêutica. A Medicina moderna seria inconcebível sem antibióticos, antivirais, anestésicos, vacinas, fármacos oncológicos e tantas outras inovações que salvaram ou prolongaram milhões de vidas.
O problema começa quando se confunde esse legado — real e indiscutível — com uma espécie de presunção permanente de desinteresse empresarial. A indústria farmacêutica não é uma instituição de caridade, nem foi criada para servir prioritariamente os doentes: responde, como qualquer grande sector económico, a accionistas, mercados, patentes, quotas de venda e expectativas de lucro.
A investigação científica mostra que essa pressão não é uma suspeita vaga, mas um fenómeno mensurável. Uma revisão sistemática publicada em 2003 na revista BMJ, que reuniu 30 estudos comparando investigação financiada pela indústria com estudos apoiados por outras fontes, já concluíra que os ensaios patrocinados por empresas farmacêuticas tinham uma probabilidade cerca de quatro vezes superior de apresentar resultados favoráveis ao patrocinador: um odds ratio de 4,05, com intervalo de confiança entre 2,98 e 5,51
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https://paginaum.pt/2026/07/02/as-falacias-de-filipe-froes-das-vacinas-contra-a-covid-19-a-lobotomia




